Como lidar com filhos viciados em álcool e outras drogas

Material complementar para pais e professores: ao final desta matéria.


Olhar para o problema é o primeiro passo para resolvê-lo.


É muito fácil perceber quando quem amamos está fazendo uso de drogas ilícitas, ou abusando de álcool, pelas alterações de comportamentos que se apresentam. Não necessariamente um comportamento específico, mas algo fora do padrão daquele indivíduo.

A oferta de drogas é enorme e nem todos os organismos reagem da mesma forma às mesmas substâncias. O que se pode esperar praticamente sempre é a despersonalização (desapego com a realidade e apatia com relação à vida).


Algumas drogas, em alguns indivíduos, mesmo com somente um ou poucos episódios de consumo, produzem efeitos irrecuperáveis que o acompanharão pela vida toda.


A maconha, após uma única experimentação, pode acelerar o desenvolvimento de doenças neurológicas ou mesmo causar o aparecimento de doenças para as quais o indivíduo tem predisposição, mas que poderiam nunca aparecer, nem mesmo em idade avançada, tais como esquizofrenia, delírios, transtorno de personalidade paranóide (maioria), transtornos sexuais, entre outros tantos distúrbios da saúde e da mente. O álcool também causa esses mesmos problemas, porém, após consumo crônico.

O LSD pode causar demência irrecuperável em indivíduos saudáveis após uma única experimentação, já que a dose máxima suportável varia de indivíduo para indivíduo e a obtenção e manipulação da droga não é nada confiável.

Imagina uma pessoa perfeita, inteligente, ficar em estado vegetativo unicamente por ter experimentado cogumelos recreativos?

Em torno de um décimo dos indivíduos têm predisposição ao vício (ou personalidade dependente, que significa a mesma coisa). Essas não são como a maioria que experimenta drogas ou álcool ou faz uso eventual dessas substâncias sem se viciar. Pelo contrário, para elas, um único contato é suficiente para despertar um desejo compulsivo que nunca mais cessará. Não sabemos de antemão quem são as pessoas predispostas. Não dá para arriscar.


O ideal é manter-se bem informado sobre as drogas e educar sempre no sentido de evitar qualquer contato com elas, mesmo o primeiro. Essa é uma curiosidade que não vale a pena matar.


O consumo de drogas ilícitas altera o funcionamento do cérebro de maneira irrecuperável. A sensação gerada é única. Após viciar-se (fisicamente ou não) em drogas ilícitas ou álcool, o desejo compulsivo por utilizá-las sempre poderá aparecer.

Um indivíduo, uma vez viciado, é uma pessoa em eterna vigilância.

O desejo compulsivo em alguém já viciado (ainda que em tratamento ou anos após “recuperado”) pode “reaparecer” devido ao consumo ínfimo de tabacos, bebida alcoólica, cafeína, energéticos e medicações diversas (por isso é importante relatar a médicos e dentistas que já foi viciado – Buscar-se-á alternativas). Isso também varia de pessoa para pessoa.

E, a informação mais importante: O vício fala mais alto, em todos os sentidos. 

Entorpecentes oferecem um prazer imediato, facilitando a “fuga” da realidade nos indivíduos que tem dificuldade em lidar com as situações da vida, com suas emoções e frustrações, criando uma compensação e prazer ilusórios; daí a necessidade do uso cada vez maior.

Não há boa vontade que baste, como afirma Mário S. Cortella, todo viciado precisa de ajuda para se recuperar. Alguns deles aceitam essa ajuda e facilitam o processo; outros precisam ser “ajudados á força”. Uma vez desintoxicada, a pessoa volta a responder por si mesma e pode até vir a decidir se tratar espontaneamente.

Quanto mais cedo melhor! Se essas substâncias causam tanto dano ao cérebro (e ao corpo todo), quanto maior o tempo de uso, mais difícil a recuperação.

Os tratamentos possíveis são em casa, com acompanhamento de grupo de profissionais especiais para isso; em clínica de internação voluntária e em clínica de internação involuntária.

A possibilidade de internação involuntária é paga ou mediante longo processo judicial. A duração de uma internação varia de três a oito meses iniciais até em torno de dois anos. Recomenda-se um tempo mínimo de seis meses. Os valores variam de R$ 1200,00 mensais a mais de R$ 6000,00 mensais. Preço não é indicativo de efetividade do tratamento. Os profissionais variam de recém-formados sem contato com pessoas viciadas a até “ex-viciados” devidamente treinados.

Apenas por curiosidade, para “viciado” usa-se o termo “adicto”, um eufemismo de que não gosto.

A média de recuperação após internação (incluindo voluntária) é de apena 10%. Realmente não vale a pena o risco de se viciar.


É muito importante compreender que internar não é maltratar! Internar é cuidar, é dar uma chance, é fazer o certo enquanto ainda há tempo. É fazer o certo por aquele que não consegue responder por si naquele momento. Na verdade dar à pessoa a única chance que ela tem!


Aos pais, é fundamental participar de grupos de apoio para familiares de pessoas viciadas em entorpecentes. Nesses grupos aprende-se como funciona a mente dos viciados, como tratá-los para ampliar suas chances de recuperação, como se comportar diante de suas diferentes reações, qual o limite, como se proteger, como funcionam as drogas, o que acontece com os familiares envolvidos, como a sociedade reage, entre outros.

O grupo Amor Exigente, como exemplo, tem ramificações em muitas cidades brasileiras. Encontre o mais próximo a você via Internet. Pais sem filhos viciados também podem participar para aprender sobre drogas e prevenção. É gratuito.

O grupo não é somente para pais. Há filhos de pais viciados, esposas de maridos viciados, irmãos de irmãs viciadas...

Ninguém nasce sabendo, ainda mais sobre essas coisas. Ajuda profissional e experiente é totalmente indispensável mesmo para psicólogos, pedagogos, médicos, o que for.

Sugere-se, juntamente, fazer terapia com profissional que conheça bem o tema. Um viciado leva a adoecer toda a família e ninguém tem super poderes para ser imune, por maior que seja seu orgulho. Todos precisarão de algum cuidado.

***

Adicionalmente, uma religião (não importa qual) pode ajudar. A fé, mesmo que de outras pessoas, com seus ritos, às vezes faz milagres pela força do pensamento ou por outros motivos pouco explicados racionalmente. Tratamentos alternativos como apometria e passes espirituais, ainda que sem comprovação científica convencional, costumam surtir efeito. Religiões como as evangélicas (as ramificações que ajudam alguém, e não as que só se importam com o dinheiro), por impor medo, regras e limites rígidos, acabam por educar e ordenar pessoas que, de outro modo, não conseguiriam se manter controladas. Cada um tem uma necessidade diferente. Vale tentar.


Boa sorte.


Palestras sobre drogas (excelentes): Série do hedonismo à adicção: as drogas no mundo contemporâneo, da CPFL Cultura. Excelente material para professores!



Dica: acesse o perfil do Grupo Amor Exigente de São Bernardo do Campo no Facebook. Há boas publicações.


Dica de livro para os professores - prevenção do uso de entorpecentes:



Dicas de livros para os pais e professores  (indicados pela psicóloga Lourdes Possatto) - Prevenção do uso de entorpecentes:


      


Dicas de livros para os pais (indicados pela psicóloga Lourdes Possatto) - Como lidar com os filhos e alunos depois que o contato com as drogas já aconteceu:


  


Livro em PDF (gratuito): Perdão, de Nelson Moraes e dica de literatura (espírita) complementar (indicados pela psicóloga Lourdes Possatto) :

    


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